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Segue o Relatório Técnico da Comissão Especial do CREA-RS
para análise do sinistro da Boate Kiss em Santa Maria, RS em 4/2/2013.
Participam da comissão:
Eng. Civil Luiz Alcides Capoani. Presidente do CREA-RS Prof. Eng. Civil Luiz Carlos da Silva Pinto. Diretor da Escola de Engenharia da UFRGS e Diretor do CEPED-RS. (coordenador) Eng. Civil e de Segurança Carlos Wengrover. Membro do Conselho Consultivo da ARES - Associação Sul-riograndense de Engenharia de Segurança do Trabalho e Coordenador do CB-24 RS Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio da ABNT, Núcleo RS (vice-coordenador) Capitão Eng. Civil e de Segurança Eduardo Estevam Rodrigues. Corpo de Bombeiros do RS e Conselheiro da Câmara Especializada em Engenharia de Segurança do Trabalho no CREA-RS. Prof. Eng. Civil Telmo Brentano. PUC-RS e UFRGS.
Eng.
Civil Marcelo Saldanha. Presidente
de IBAPE-RS - Instituto Brasileiro de Perícia de Engenharia e Conselheiro da
Câmara Especializada de Engenharia Civil no CREA-RS.
Atenciosamente
Carlos Wengrover
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Boate Kiss: Relatório do Crea aponta erros e faz recomendações
Apresentado em uma coletiva de imprensa na tarde desta
segunda-feira (04) o Relatório produzido pela Comissão de Especialistas em
Segurança contra Incêndio formada pelo CREA-RS após a tragédia em boate de
Santa Maria, após visita técnica ao local e análise da documentação relativa ao
local, apontou uma "série de erros" que levaram ao incêndio que
vitimou 237 pessoas na madrugada do dia 27 em Santa Maria.
Além de repórteres dos principais veículos de comunicação,
acompanharam a apresentação, realizada pelo coordenador da Comissão, Eng.
Civil Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, em nome dos demais integrantes
do grupo, os deputados estaduais Adão Villaverde e Valdeci
Oliveira; o chefe e o sub-chefe da Divisão Administrativa da Defesa
Civil do RS, major Benhur Pereira da Silva e Paulo Roberto Locateli,
respectivamente; o coordenador-geral da Comissão de Direitos Humanos da
OAB/RS; Rodrigo Puggina; João Otávio Carbonara Paz, dirigente do Núcleo de
Direitos Humanos da Defesensoria; além de conselheiros e representantes
de entidades da classe da área tecnológica do RS.
De acordo com o documentos, "a análise das
informações disponíveis até o momento aponta como causas fundamentais para a
ocorrência do incêndio a combinação do uso de material de revestimento
acústico inflamável, exposto na zona do palco, associada à realização do show
com componentes pirotécnicos".
Entre as causas as causas determinantes da tragédia, conforme apontaram os especialistas, estiveram a falha no funcionamento dos extintores de incêndio, a dificuldade de evacuação, a deficiência nas saídas e na iluminação de emergências, a falta de um mecanismo para retirar a fumaça e a utilização de materiais inadequados, como a espuma emborrachada que queimou e liberou o gás cianeto, que intoxicou a maior parte das vítimas.
Segundo o presidente do CREA-RS, Eng. Luiz Alcides
Capoani, o acidente deve servir para que se evoluam nas regras e legislações
que garantam a segurança da população. "Propomos um trabalho conjunto
Crea, Bombeiros, governos estaduais e municipais, judiciário, legislativos,
universidades, entre outros, que resultem em maior rigor na fiscalização, na
especificação dos materiais, na manutenção e inspeção das edificações que
sirvam de ferramentas reais na segurança contra incêndio e pânico e no uso
correto de nossas edificações, visando dar maior segurança à população",
destacou.
Além de apontar as causas que resultaram na tragédia, a
Comissão de Especialistas do CREA-RS também apontou soluções, entre eles,
alteração nas normas para materiais de isolamento, modificação na formação de
técnicos de prevenção contra incêndio, criação de forças-tarefas em
municípios para analisar a legislação, elaborar um código estadual de
segurança contra incêndio e pânico, criação de campanha institucional para
mostrar a sociedade os riscos, além da criação de um departamento técnico
dentro do Corpo dos Bombeiros.
Compõe a comissão os Engenheiros Civis: Luiz Carlos
Pinto da Silva Filho (coordenador), diretor do Centro Universitário de
Estudos e Pesquisa sobre Desastre; Carlos Wengrover (adjunto), coordenador do
CB-24 RS; Capitão do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar Eduardo Estevam
Camargo Rodrigues, conselheiro suplente da Ceest do CREA-RS; Telmo Bretano,
professor da UFRGS-PUCRS; Marcelo Saldanha, conselheiro da Câmara Civil e presidente
do Ibape-RS.
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CONSELHO
REGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA DO RIO GRANDE DO SUL
SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL – ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO DA ENGENHARIA E DA AGRONOMIA Rua São Luis nº 77 - Fone: (51) 3320.2100 - 90620 170 - Porto Alegre (RS)
COMISSÃO ESPECIAL DO
CREA-RS
RELATÓRIO TÉCNICO
ANÁLISE DO SINISTRO NA BOATE
KISS, EM SANTA MARIA, RS
PORTO ALEGRE, 04 de Fevereiro de 2013
INTRODUÇÃO
Da
mesma forma que a Sociedade Gaúcha e Brasileira, o Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia (CREA-RS) lamenta o ocorrido e se solidariza com as
vítimas do incêndio ocorrido na boate Kiss, na cidade de Santa Maria, Rio
Grande do Sul.
Adicionalmente, desde o evento o CREA-RS tem externado sua preocupação com a necessidade de promover uma análise técnica detalhada do sinistro e suas repercussões, visto que a realização dos projetos para implantação da segurança contra incêndios nas edificações, e a elaboração de Planos de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI), são fundamentalmente atribuições de engenheiros e arquitetos. Portanto, o CREA-RS, cumprindo sua missão institucional de fiscalização do exercício profissional e promoção da defesa da sociedade, compreende que é sua responsabilidade, nesse momento, envidar todos os esforços para entender o acontecido e tirar lições e aprendizados técnicos que ajudem a elucidar quais as falhas, deficiências e demandas de melhoria do sistema gaúcho de Segurança contra Incêndio e Pânico. Entendendo a importância de realizar essa análise de forma técnica e isenta, o CREA-RS convidou alguns dos especialistas mais reconhecidos e experientes do Estado, associados às áreas de Segurança contra Incêndio e Perícias de Estruturas Sinistradas, para compor uma Comissão Especial de Análise do Incêndio na Boate Kiss. É importante destacar que os profissionais convidados a compor a comissão, nominados ao final desse relatório, além de especialistas no tema, representam algumas das mais importantes associações técnicas e entidades acadêmicas da área no Rio Grande do Sul. Para subsidiar os trabalhos da Comissão, foi dado acesso ao local sinistrado e à documentação e às informações referentes ao trágico acidente que chegaram ao conhecimento do CREA-RS, disponibilizados pela Prefeitura Municipal de Santa Maria e pelo Comando do Corpo de Bombeiros.
ESCOPO
DO DOCUMENTO
Cabe
salientar que a Comissão Especial entende que a apuração das
responsabilidades civis e criminais deve ser efetuada pelas autoridades
competentes, com todo o rigor e a disciplina necessárias diante da
importância do caso em tela.
O objetivo do presente relatório, não é sobrepor esforços aos desenvolvidos pelo nosso sistema legal. A Comissão Especial acredita que cabe ao meio técnico e ao CREA-RS, todavia, analisar criticamente e com grande cuidado as causas e fatores que contribuíram para a tragédia de Santa Maria, buscando identificar as lições a serem aprendidas e as ações necessárias para que se modifique a realidade vigente. O texto expressa o juízo técnico consensual dos especialistas convidados a integrar a comissão especial do CREA-RS, baseado na documentação disponível, nos relatos de domínio público e na larga experiência de cada um de seus integrantes, que além de serem especialistas na área, já atuaram em diversas perícias e investigações de obras sinistradas. Além de explicar e comentar criticamente aspectos relacionados ao ocorrido, sob a ótica técnica e de responsabilidade profissional, o presente documento se preocupa em propor uma agenda de ações efetivas e objetivas, que sirvam de base para avanços reais na Segurança contra Incêndio e Pânico no Estado e no País, e que contribuam para reduzir significativamente a possibilidade de que novas tragédias como a de Santa Maria venham a ocorrer. Acreditamos que essa é a única forma de fazer jus à memória das vítimas do sinistro, a única maneira de gerar algum bem a partir da perda irreconciliável e traumática que entristece a todos. Cabe salientar que as considerações e conclusões apresentadas aqui se baseiam nas informações disponíveis até o momento. Embora novas informações possam alterar algum aspecto específico relativo ao ocorrido, a comissão está convicta que as questões gerais discutidas e as conclusões apresentadas permanecem válidas. |
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Incêndio Boate Kiss
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